Quem se dispõe a viajar quase 90 horas de ônibus e de trem por alguns dias para conhecer um lugar perdido no meio das montanhas, em que a principal atração são sítios arqueológicos feitos por povos que não são tão conhecidos na história da humanidade?
Aventurei-me a fazer este trajeto! Partir de IBIRAÇU-ES rumo à cidade perdida dos Incas, MACHU PICCHU-Peru e também com o intuito de conhecer um dos países mais pobres da América Latina, Bolívia, que por sinal me surpreendeu com suas atrações naturais como o Titicaca, lago navegável mais alto do mundo; o Salar de Uyuni, um imenso deserto de sal com um visual fantástico e fora do comum e o Deserto de Siloli passeio feito de três dias em pleno deserto dentro de um Jipe percorrendo paisagens encantadoras.
Durante mais de quatrocentos anos após a conquista pelos espanhóis, Machu Picchu permaneceu escondida nos Andes até seu redescobrimento em 24 de julho de 1911 por um arqueólogo chamado Hiram Bingham. Machu Picchu quer dizer “Montanha Velha”. As ruínas estavam completamente cobertas pela densa vegetação, e levou um bom tempo até que fosse feita toda a limpeza, incluindo novas expedições nos anos seguintes. Os visitantes podem chegar a Machu Picchu através de três caminhos: 1º) a famosa trilha inca, indicada para os aventureiros que querem e podem desembolsar quase duzentos e cinqüenta dólares em quatro dias de caminhada no meio das montanhas; 2º) de trem que parte de Cuzco com duração de 3 ou 4 horas de viagem até uma estação em Águas Calientes e de lá pegar um ônibus que sobe a montanha, situada à 2300 metros acima do nível do mar; 3º) por uma rota alternativa onde temos que caminhar quase um dia inteiro, percorrer montanhas repletas de abismos em microônibus lotados e caminhões muitos velhos gastando apenas 15 dólares. Esta foi a rota que fiz rumo a Machu Pichu.
Minha viagem pela história da civilização Inca começa em La Paz-BO, cidade está localizada a 3650 metros de altitude, portanto tomei cuidado com a altitude e os problemas que a altitude pode causar devido à diferença de nível. Um grande remédio para o “mal da altitude” é o chá de folha de Coca. A cidade em si é bem velha, com poucas construções altas e sem pinturas, muita gente nas ruas pedindo: dinheiro, comida, roupa, etc. As calçadas parecem verdadeiros mercados ou feiras livres, onde vendem principalmente artesanato local. De La Paz fui a Copacabana, cidade localizada as margens do Lago Titicaca, seguida da Ilha do Sol; Puno e finalmente Cusco à capital do Império Inca.
Em Cusco o ponto turístico a ser visitado é a Praça de Las Armas, muitas das relíquias históricas e prédios coloniais estão à sua frente ou a poucas quadras de distância, Cusco se tornou um ponto turístico muito importante para aqueles interessados em religião, história, arqueologia, arquitetura e principalmente aventura, uma vez que é de lá que os viajantes curiosos partem para Machu Picchu.
Barbadas & Roubadas da TRIP
- Mais de 150 horas dentro de ônibus, trêm, jipe, caminhão e avião;
- Viagem em ônibus precários, hiper-lotados, sem banheiro, sem poltrona reclinável, com janela quebrada, com bagagem em cima dos ônibus, etc.;
- Oito noites mal dormidas dentro dos piores ônibus que já andei;
- Uma ocorrência no Peru, onde quase fomos presos;
- Dois ônibus e um vôo perdido;
- Milhares de picadas de mosquitos;
- Vinte horas caminhando, resultado três bolas e dois calos no pé;
- Muito frio.
Como chegar:
Ônibus: Saindo de Ibiraçu com destino a São Paulo. Em São Paulo pegar ônibus para divisa do Brasil com à Bolívia em Corumbá-MS. Na divisa (Puerto Quijarro) pegar o lendário trem da morte até Santa Cruz de La Sierra-BO, de Santa Cruz pra La Paz.e de La Paz para Cusco-Peru.
O que levar: protetor solar, boné, sandália, bota confortável e cantil para as caminhas, medicação para enjôo, muita blusa de frio, luva, gorro é lógico como em toda viagem uma maquina fotográfica.
Próximo destino:
Estou pra decidir meu próximo mochilão!!!!!!! Terra do Fogo (Patagônia) ou Chapada diamantina (agreste nordestino).
Se alguém se habilitar!
Elias J. Campagnaro Júnior 02/2007